Desiludidos filhos da classe média
Hoje em dia quem está na faixa dos 20 anos provavelmente tem algum conhecido que foi tentar a vida no exterior. A grande maioria servindo de mão de obra barata nos países desenvolvidos, trabalhando como atendente, limpador, construção civil, etc.
O mais interessante é analisar o perfil desse migrante brasileiro de classe média. A maioria vai para o exterior já tendo conhecimento de um segundo idioma, principalmente inglês, tem um nível escolar alto, pelo menos segundo grau completo, não sofre de perseguições sociais ou políticas, não corre o risco da miséria e tem grandes possibilidades de cursar o nível superior de ensino.
Partindo desse perfil, o que leva os filhos da elite brasileira a abandonar tudo aqui, onde seriam reis, para se sujeitar a viver em um país de primeiro mundo como cidadãos de segunda categoria? Desilusão. Acho que esse é o principal motivo.
Alguém como eu, por exemplo, que nasceu em 1982, teve a infância marcada pela crise, ver os pais preocupados pra la e pra com o Brasil que dava errado (já que nossos pais são do Brasil do milagre). O primeiro presidente que me lembro foi deposto, eu não sei ao certo quantas moedas eu já vi circular no Brasil, é um lugar onde o malandro se da bem em cima do honesto e todo mundo acha o máximo. Além de que é claro, o peso que carregamos nas costas de que, como o Brasil está, nunca chegaremos ao nível dos nossos pais, e o que vemos hoje no cenário brasileiro não ajuda muito.
Já tem gente pensando que é melhor ser faxineiro na Europa do que Professor no Brasil, por exemplo. E o pior é que em alguns aspectos estão certos.
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Dêem um jeito de ler o artigo do Pompeu de Toledo na VEJA desta semana, está imperdível.









